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SURF
Aloha!
Enfrentar os medos, entender o mundo à sua volta, respeitar as incertezas e tomar decisões. Surfar é um exercício para aprender a viver
Meu primeiro contato com o surfe foi aos 7 anos. Ganhei uma prancha de isopor e fui para a praia com meu pai. Subia sobre a prancha, apoiava em seus ombros e, quando vinha a onda, ele me impulsionava: “Vai, filho!”. E lá ia eu. Fui uma, duas, dez, mil vezes. E vou até hoje, com outras pranchas e mesmo sem ter o apoio das mãos de meu velho. Sem perceber, naquele dia ele me deu de presente a maior ferramenta de equilíbrio da minha vida.
Surfando aprendi a amar e a respeitar a natureza: a entender as fases da Lua, o ciclo das marés, a direção das correntes e dos ventos e, principalmente, a ler as ondas. Descobri que cada uma é diferente, não há duas ondas iguais. E entendi que cada uma pode ser percorrida de várias maneiras. Surfando aprendi a gozar a vida, porque pegar onda é uma proposta aberta. Não há uma meta, um objetivo, a não ser curtir o momento. É o prazer pelo prazer.
O importante é estar totalmente centrado no momento, “respirando as presenças divinas que moram dentro de você e as que não moram”. Essa é a definição do espírito de aloha. Foi daí que nasceu o surfe. Do ventre de aloha, palavra havaiana que significa amor, afeto, compaixão, bondade, graça e gentileza. É também o cumprimento com o qual um havaiano saúda outra pessoa que admira. Algo como namastê para os yogues: o meu Deus reconhece o seu Deus.
Os primeiros relatos do surfe vêm do Havaí, em 1780, quando o capitão britânico James Cook viu os nativos deslizando pelas ondas em pranchas de madeira. Lá, o surfe era uma atividade social, que reforçava a estrutura hierárquica. Reis e nobres em geral possuíam as pranchas maiores e melhores e tinham preferência na onda. E muitas relações de poder eram decididas sobre a prancha, em competições de he’e nalu, como era chamado o esporte. Em havaiano, he’e quer dizer “derreter, correr feito líquido”. Nalu refere-se ao movimento da onda quebrando. He’e nalu, portanto, significa mais ou menos “deslizar como uma onda” ou “na onda”. Em inglês, surf vem da palavra surface, que significa superfície. Mas essa mania de deslizar sobre as ondas só decolou internacionalmente em 1950, quando explodiu na Califórnia ao ritmo da beach music. E chegou ao Brasil dez anos depois.
Surfe Terapia
No clássico manual de Patanjali, a bíblia do yoga, o primeiro aforismo diz: “A yoga consiste em cessação intencional da atividade espontânea do material mental”. O surfe faz algo parecido. “Ao surfar, só consigo ver o lado bom da vida, associar pensamentos positivos, como se houvesse um bloqueador de imagens negativas”, diz a fotógrafa Carolina Da Riva. “O surfe é minha yoga. Ao praticá-lo, o corpo pensa e a mente dança. Liberto minha criatividade, minha criança interior. E isso me traz uma alegria muito grande que me ajuda a lidar melhor com a vida”, diz Carolina.
“Só sei que, quando estou surfando, gosto de curtir a solidão. Neste mundo que nos rodeia é difícil estarmos sozinhos e felizes. No mar, isso é fácil”, diz o surfista e artista plástico carioca Rafael Ceppas, que busca no mar inspiração para suas telas. “Com a mente serena, consigo contemplar cardumes de peixes, aves pescando, barquinhos no horizonte, nuvens no céu. Às vezes não penso em nada. Outras vezes, fico tão feliz que paro para pensar como vale a pena viver.”
Morando na capital paulista, o advogado Rodrigo Leite passa mal cada vez que descobre na internet a entrada de uma ondulação e não pode estar na praia. Mas, quando chega sexta-feira, Rodrigo tira a gravata e vai à forra. “O barulhinho bom das ondas quebrando vai relaxando e esvaziando a minha mente. Me sinto recarregado para mais uma semana de trabalho”, diz.
Quem navega é o mar
Assim como um momento nunca se repete, uma onda nunca será igual a outra. O mar está sempre mudando de feições. Em seus domínios, por mais que você se programe ou se prepare, nunca terá o controle da situação, pois quem dita as regras é ele. Em dias de ondas perfeitas, o mar diz: podem entrar que hoje é alegria geral. Em outros, a superfície lisa avisa: não estou para surfe. E, em dias de ressaca, o aviso é claro: é proibido entrar, estou limpando a praia. Há sempre uma mensagem escrita nas ondas. Só não vê quem não enxerga ou quem não aceita.
Aceitar e respeitar essa imprevisibilidade do mar rende muito aprendizado para a vida. No trânsito, por exemplo. Por mais caóticas que estejam as ruas, você pode sempre mergulhar ao encontro do seu eu interior, seu oceano profundo, cujas águas estarão sempre calmas. Para o zen-budismo, a sabedoria está em ser flexível como um bambu e não rígido como um carvalho. No mar é a mesma coisa. Não adianta nadar contra a corrente. Você tem que seguir o fluxo, deixar a água te levar, ser humilde. Frente às ondas, ninguém tem direitos adquiridos. A onda não é minha, não é sua, não é de ninguém. É um exercício de desapego.
Lidar com uma força maior do que a nossa aprimora a intuição. No mar, ficamos de antenas ligadas, com os sentidos aguçados, como animais que somos. Para pegar a onda certa é preciso ter consciência do todo, da pedra na praia que ajuda a localização até o movimento da espuma que indica o sentido da corrente. Os sentidos se apuram e ficamos atentos ao momento presente.
O mar também ensina a tomar decisões rápidas e não ficar hesitando. É como diz um amigo meu: “O que mata é a indecisão”. Resolveu entrar na onda? Vá até o fim. Se hesitar, já era, passou. Mas a vantagem, aqui, é que atrás de uma onda sempre vem outra. Ou seja, ao contrário de várias situações da vida, dá para testar mais de uma resposta para o mesmo problema. Exige um bocado de remadas e alguns caldos, mas toda boa lição é assim mesmo: exige algum sacrifício.
Medos e limites
Surfar é perigoso? Depende. Com uma prancha grande, basta uma marola, segura e confortável, para levá-los adiante. Mas, se o se prazer está em vencer desafios, há ondas maiores, que dão motivos de sobra para ter medo. O desafio é real, palpável, profundo e molhado. E acredite, isso é bom. Neste mundo em que as ameaças são cada vez mais etéreas, como a queda da Bolsa, o desemprego e a violência, é bom ter um adversário físico para enfrentar. Só para variar.
Acostumado a descer as maiores ondas do planeta, o big rider pernambucano Carlos Burle, 36 anos, diz que, sobre uma montanha de água, “o instinto de sobrevivência fala mais alto”. Burle é viciado em doses cavalares de adrenalina e tira do êxtase desses momentos sua força para viver. Mas pergunte se ele tem medo. “É lógico que eu tenho. O medo é uma ferramenta importantíssima para mim. Se você não tem medo, você perde o parâmetro. Você só não coloca a mão no fogo porque sabe que vai se queimar. É o medo que te avisa o limite”, diz Burle.
Para o surfista, cada um tem seu limite e seus próprios medos a superar. “Um menino que está começando pode sentir até mais adrenalina num mar de 1 metro do que eu num mar gigante.” Para quem quer vencer o medo e ultrapassar os limites, ele dá o seguinte conselho: “Faça tudo em doses homeopáticas. Meditação, yoga, respiração e consciência corporal ajudam muito. Mas tem que ir passo a passo. No surfe não se pula degraus”, ou seja, tome vários caldinhos, para depois encarar um caldão. E eu acrescentaria o velho ditado, que um pouco de cautela e caldo de galinha, assim como coragem e persistência, não fazem mal a ninguém.
Afinal, o surfe só diz respeito a você mesmo. Não é preciso superar ninguém. Só você e seus próprios limites. “Talvez essa seja a magia”, diz o americano Kelly Slater, o Pelé do surfe. Para ele, “não importa quão bom você seja, você sempre tem algo novo para aprender”. E, para aprender, só tentando, caindo e se levantando. Como uma criança aprendendo a andar. Caiu? Sobe na prancha, atravessa a arrebentação e tenta novamente. Numa boa. O importante é lembrar que é tudo parte da mesma brincadeira: a onda grande e a pequena, o equilíbrio perfeito e o caldo mais medonho. Afinal, como diria o Dalai Lama, a essência do surfe, ou melhor, da vida, é ser feliz. Aloha, Dalai!
Para saber mais:
Livros:
>> Surf e Saúde
Joel Steinman, edição do autor
>>Pipe Dreams:
A Surfer’s Journey, Kelly Slater, Regan Books
DVD
>> Shelter, Taylor Steele e Chriss Malloy
NA INTERNET
>> www.almasurf.com.br
>> www.surfersjournal.com
Artes Marciais
Golpe de mestre
Nascidas há milênios em mosteiros no Oriente, as artes marciais ensinam a aproveitar os tombos que a vida nos dá
Imagine que a vida é uma luta e o mundo dos adultos é um tatame. Ou um ringue, uma arena ou mesmo um campo de batalha. Os árabes chamavam esse espaço sagrado onde aconteciam lutas de al maida, o tablado. Os japoneses, de dojô, o lugar da iluminação. Por aí se percebe que essa história de enfrentar o outro e, portanto, a si mesmo é coisa séria e que está muito além do ganhar e do perder imediatos. Mas continuemos com a nossa comparação.
Vamos supor agora que você seja um lutador, um guerreirão daqueles, alguém que nasceu com o espírito de um bravo nas veias. E que você está pisando no ringue dos adultos pela primeira vez.
Antes de chegar ao tatame, você estudou bastante. No colégio e na faculdade, aprendeu um monte de boas informações – os nomes de todos os grandes campeões, a descrição de suas melhores lutas e como se chamam os golpes. Teve até chance de praticar um pouco com lutadores bem camaradas. Mas agora não é mais treino. Você está no ringue. Você estuda seu adversário com cuidado e de repente plaft!, você recebe o primeiro golpe e cai estatelado. Vem o segundo e você quebra um dente, o terceiro acerta direto no fígado, o quarto você já nem sabe onde doeu – e em seguida você está no chão. Você levanta, se lembra de um golpe ensinado na escola e consegue fazê-lo direitinho. Mas em troca leva mais três ou quatro bordoadas. E assim segue a luta, durante anos, nessa proporção inglória em que você dá uma e leva várias, até equilibrar o que você aprendeu na escola com sua experiência concreta no tatame da vida.
Pois é. A vida é assim: a gente só aprende apanhando. Mas dá para reduzir a surra, e é isso que as artes marciais podem fazer por você: elas ajudam a diminuir o número de pancadas necessárias para você aprender a viver.
“Esquecemos de como se luta”, diz a psicóloga paulista Vera Lúcia Sugai, uma lutadora de respeito, faixa marrom de judô e autora de livros sobre artes marciais. Mas como assim, Vera? E a batalha diária contra o relógio, a guerra no trânsito, as quedas de braço com o chefe? Isso não é saber lutar? Segundo ela, não. Isso é ter espírito de luta, aquilo que anima um guerreiro por dentro. Essa gana a gente tem de sobra, diz Vera Lúcia. Ainda mais no Brasil, onde não se consegue nada sem suar muito. “O Brasil não é país para amador”, dizia Tom Jobim, o maestro filósofo. Andamos no fio da navalha – bobeou, dançou. Por isso somos tão espertinhos, tão vivos. É necessidade, mesmo.
E, se a vida é uma luta, no tatame brasileiro todo dia é dia de treino. Na China, os lutadores de kung fu do célebre mosteiro de Shao Lin se exercitavam em cima de altos postes onde mal cabia o pé. E ficavam andando de lá pra cá sobre as estacas, sem olhar para baixo, para treinar os passos corretos dos golpes. Se caía, morria. Juntava os caquinhos, encarnava na próxima vida, paciência. Por aqui, para dançar miudinho a gente não precisa nem de poste.
O que a baiana não tem?
Tudo bem, não há vida sem sofrimento, já diziam Buda e mais uma porção de filósofos pé no chão. O detalhe, diz Vera Lúcia, é que andamos apanhando além do que é preciso, porque nosso desempenho no tatame está mais para Didi Mocó que para Bruce Lee. Nosso método, diz ela, ainda é o da tentativa e erro. E a desvantagem dele é que demora muito tempo até ser aprendido. É por isso que artes marciais podem nos ajudar: elas ensinam técnicas e estratégias de como reagir mais velozmente e com mais sabedoria nessa luta. E apanhando menos.
Aí é que entram as lições simples mas vitais dessas práticas, que a gente pode incorporar na vida: saber como cair sem se machucar, a se levantar rapidamente depois de um golpe, a desarmar uma agressão com facilidade, a enfrentar um oponente mais forte ou direcionar o ataque contra o próprio agressor. E, convenhamos, ninguém nos ensina isso na sala de aula. “O que acontece no tatame acontece na vida. Se a gente aprende a cair rolando e a se levantar rapidinho, também incorpora esse aprendizado internamente, na psique. Fica mais fácil se recompor diante dos baques psicológicos”, afirma Vera Lúcia, que não bate sozinha nesse ponto: são várias as correntes da psicologia que enxergam estreita relação entre corpo e mente (ou corpomente, como dizem). Ou seja, essas práticas podem transformar o espírito.
Vida ou morte
As artes marciais nasceram como um treino concreto para ataque e defesa durante combates – a palavra marcial vem de Marte, o deus da guerra. Era questão de sobrevivência. Hoje virou arte porque a vantagem de aprender a lutar judô ou karatê independe de haver um ataque real. Mas elas continuam sendo uma luta – só que em forma de auto-aprimoramento, como uma luta contra si mesmo. “A função dessa arte é se conhecer – tanto os limites, dificuldades e erros quanto as qualidades e acertos”, diz Vera Lúcia.
Não só. Aprende-se também sobre como lidar com o outro, o oponente. Ali, no tatame, não dá para seduzir, nem tentar enrolar. Não tem nhenhenhém. É impossível fugir do confronto, contorná-lo. “Aprendemos a ser objetivos”, diz Vera.
Maria Luiza Serzedello, a Lila Sensei, hoje quarto dan (grau) e mestre de aikidô, aprendeu isso na raça. Ao ser reprovada no exame de obtenção da faixa preta, um dos colegas de academia, coreano, comentou: “No meu país, você apanharia na cara por ter envergonhado seu mestre”. Minutos depois, ela enfrentaria o sujeito no tatame. “Vi a raiva fervendo dentro de mim.” Mas a essência do aikidô é não responder a uma agressão recebida e desarmar o golpe. Foi preciso dominar a raiva. Sua postura impressionou o adversário e os dois acabaram amigos. E hoje ela é capaz de reconhecer: “Ele me ensinou demais”. Convenhamos, o que mais podemos querer de um adversário?
Eu comigo
Cada luta tem sua maneira de ensinar. Nas refinadas artes marciais internas, por exemplo, como o tai chi chuan, o qi gong (pronuncia-se chi kun), o baguá zhang e o xin yi kuan, uma espécie de yoga chinesa em movimento, o grande objetivo é desbloquear a energia qi (ou chi), aquela força vital que passa pelos meridianos do corpo e que a ciência não consegue detectar. Elas são mais introspectivas, na maior parte do tempo não é necessária a presença de um oponente externo, é mais você aprendendo sobre si. Enfim, elas ensinam a transformar a própria qualidade da nossa energia interna – para que a gente possa agir com mais equilíbrio e sabedoria no mundo.
As artes marciais externas, que envolvem golpes contra um adversário, dividem-se entre as competitivas (algumas delas viraram esporte, como o judô) e as não competitivas. E aí o bicho pega. Muitos mestres e praticantes acham que não deveria haver competição, faixas, prêmios e campeões. A competitividade, dizem, depõe contra o verdadeiro espírito das artes marciais, que é o autoconhecimento. O aikidô, por exemplo, uma arte marcial não competitiva criada no Japão como um brado pacifista em plena Segunda Guerra Mundial, é considerado o caminho da harmonia. “Ele ensina exatamente a não lutar, a desarmar golpes, a se desviar da agressão do adversário e a deixar ele se derrotar sozinho”, diz Lila Sensei.
Já os que defendem as lutas acham que não há desenvolvimento interno sem competição e que o embate reflete o próprio jogo da vida. “Mesmo que haja um oponente, no final das contas o lutador sempre perde para seus próprios limites, não para o outro”, diz Vera Lúcia, que treina equipes de judô.
Quer praticar?
Na hora de escolher uma arte marcial, alguns cuidados ajudam a saber o que se vai encontrar pela frente. Comece prestando atenção se o nome da luta acaba em “dô”, como judô, karatê-dô, hapkidô, taekwondô. Em japonês, dô quer dizer “caminho espiritual” e é sinal de que o método valoriza o auto-aprimoramento. Claro, a ênfase depende muito do peso que o mestre, ou a academia, dá a isso. O kung fu, que não acaba em dô, também pode revelar um profundo caminho espiritual. Depende do mestre. Saiba que muitos dos estilos dessa luta (louva-deus, garra de tigre, garra de águia, garça) nasceram em mosteiros na China. O problema é que, se o kung fu influenciou o cinema, o cinema também influenciou o kung fu – para pior. E algumas escolas hoje se limitam a ensinar como golpear com violência.
Portanto, antes de sair correndo para se matricular na academia mais próxima, é bom se informar bastante a respeito dos mestres, dos mestres desses mestres e dos mestres deles. Eles fazem a diferença entre uma sessão de pancada e uma aula de sabedoria.
A LUTA É LIVRE
• Qi gong
Desenvolve a força interna ao máximo. Desbloqueia a energia vital.
•Tai chi chuan, baguá zhang e xin yi-chuan
Usam a força do adversário contra ele mesmo. Os golpes parecem uma dança.
• Aikidô
Demonstra que a melhor saída é não lutar. Treina a arte de cair e a de levantar-se rapidamente. Desarma os golpes.
• Judô
Incentiva a luta como forma de autoconhecimento. Procura imobilizar o adversário.
• Karatê-dô
Centra na precisão e na força de cada golpe. Também inclui o auto-aprimoramento.
• Taekwondô
Usa as pernas e se vale do elemento surpresa. Dependendo do mestre, estimula o autoconhecimento.
• Kung fu
Golpes fortes e precisos. Aumenta a velocidade de reação, que passa a ser quase instantânea.
• Jiu-jítsu
Utiliza força e agilidade. Procura jogar o adversário no chão, campo onde o lutador é invencível.
Para saber mais:
>> O Caminho do Guerreiro, Vera Lúcia Sugai, Editora Gente
>> A Arte da Estratégia, Vera Lúcia Sugai, Editora Sapienza
Idéias Para Você Ser Mais Feliz
De galho em galho
Andando e aprendendo entre as copas das árvores
Fui praticar arvorismo, uma espécie de caminhada em circuitos suspensos junto às copas das árvores. A tecnologia, adaptada de sistemas utilizados por biólogos, botânicos e outros pesquisadores, agora serve para a prática esportivo-ecológica (e emocional, como eu descobri). A primeira sensação foi de êxtase: lá de cima, a percepção do mundo é bem diferente. Depois, a gente vai se integrando ao novo ambiente e experimenta um olhar mais calmo sobre bichos e plantas, sob ângulos inusitados. Mas é preciso abandonar o medo de altura e ter muito entusiasmo: a “trilha” – tabuinhas, tocos e argolas sustentados por cabos de aço – vai ficando cada vez mais difícil, balança mesmo, e houve momentos em que tive de fazer algum esforço.
Tudo bem, há um cabo de segurança e guias treinados sempre por perto. “Crianças, famílias e turmas de executivos vêm aqui para ter contato com a natureza, vencer desafios e experimentar algo diferente e divertido”, diz a dona do brinquedo, a neta de índios Cássia Meireles, da Aldeia Cocar, em Aldeia da Serra, São Paulo. Além do arvorismo, existe também o cavernismo – mas, assim como aconteceu na evolução humana, isso pode ficar para outra hora.
Para saber mais:
>> Aldeia Cocar: www.aldeiacocar.com.br
>> Alaya Expedições: www.alaya.com.br
>> Associação Brasileira de Esportes de Aventura: www.abea.org.br
Capoeira
Jogo da vida
A capoeira ensina a dialogar com o outro por meio do movimento gingado e flexível. Nesse encontro indireto, a malícia vale mais que a força física
Luta, dança, brincadeira, jogo, esporte, música. Afinal, o que é que a capoeira tem que deixa todo mundo de queixo caído? Tem berimbau, atabaque, pandeiro e agogô, tem canto e palmas ritmadas, tem axé, muita ginga de corpo e malandragem. Dá para dizer que a capoeira é mais um dos jeitos brasileiros inventados pela necessidade de se comunicar.
A base da capoeira chegou ao Brasil com os negros escravizados vindos do Congo, Angola e Moçambique. Muitos dominavam o N’golo, uma luta inspirada na disputa das zebras na época do acasalamento. Em terras brasileiras, eles foram se adaptando para expressar sua cultura e ganhar agilidade para atacar e se defender dos feitores brancos.
Hoje, a capoeira é uma atividade física vigorosa que integra corpo e mente e mantém vivas as raízes da cultura afro-brasileira. Essa mistura de resistência e manemolência está na alma de quem gosta de jogar capoeira. Lutar contra a escravidão não é mais o principal. A roda se abre para quem quer aprender a lidar com a vida com jogo de cintura e bom humor. Cair faz parte, importante é levantar rápido e recomeçar de cabeça erguida.
Quem se inicia na capoeira aprende logo que a ginga é a base dessa arte, o que a difere das demais artes marciais. “É um andar sem sair do lugar”, dizem alguns praticantes. “Para a filosofia congolesa, viver é um processo emocional de movimento e movimentar é aprender”, explica Fu-Kiau Bunseki, estudioso da cultura tradicional africana.
A dinâmica do jogo é regida por movimentos de retração e expansão, de defesa e ataque, onde um dos jogadores oferece espaço para o oponente ocupar e impõe movimentos complementares. A capoeira inverte a lógica da competição para a cooperação, pois o objetivo da brincadeira é encaixar os golpes. “O movimento do meu parceiro só acontece no espaço que eu concedo ou perco e que ele usa ou conquista, e vice-versa. A oportunidade que ele me dá é a que ele me toma em seguida”, diz o engenheiro José Antônio dos Santos Prata, aluno do grupo Água de Meninos, de São Paulo. “Esse jogo de espaço se aplica à vida, ao trabalho, aos relacionamentos.”
Quanto mais próximos os jogadores estiverem, mais bonito e complexo fica o jogo. Tomé Borba, professor de Educação Física e contramestre de capoeira, gosta de lembrar o clima de êxtase que as rodas formadas pelos mais experientes produzem. “Os movimentos são tão intrigantes que todo mundo se desconcentra do que está fazendo, seja cantando, seja tocando ou batendo palma, para tentar desvendar o jogo”, diz.
Mascarar as intenções é a tônica dessa atividade que nasceu com espírito brincalhão e também guerreiro. “Antigamente a capoeira era muito manhosa, o capoeirista fingia que tinha sido acertado e que sentia dor e dava um golpe de surpresa. Era um artifício para se livrar da polícia”, conta Mestre Kenura, da escola Água de Meninos, em São Paulo. Assim, a capoeira ganhou malícia e agilidade e foi dando um jeito de passar por onde precisava, sendo perigosa com quem ignorava seu poder.
Ginga e malandragem
O esporte está dividido em dois estilos: o tradicional angola, mantido por mestre Pastinha, e o regional, criado por mestre Bimba. O primeiro leva à risca a origem manhosa: os movimentos corporais são executados bem próximos ao chão, com vagar e precisão, ao som de toques de berimbau próprios dessa modalidade. A capoeira regional inclui elementos das artes marciais em seu jogo, que é mais rápido e acontece com o corpo erguido, explorando quedas, rasteiras e cabeçadas. Enquanto Pastinha manteve a capoeira angola espontânea e popular, mestre Bimba organizou a regional em uma seqüência didática com oito movimentos que dão noção de espaço, tempo, reflexo e equilíbrio. O encadeamento básico prevê passos e golpes como bênção, esquiva, negativa, aú, meia-lua de frente, cocorinha, armada.
Não importa se você é grande, pequeno, se está magro ou gordo: a capoeira pergunta o que você precisa melhorar. Certos passos exigem, simultaneamente, flexibilidade, rapidez e força e deixam a pessoa consciente dos limites e das capacidades do corpo. “O começo do aprendizado pode causar ansiedade e angústia até o aluno adaptar-se aos movimentos, às regras e à turma. Paciência e esforço são fundamentais para o jogo alcançar qualidade”, afirma o professor Tomé Borba.
Conforme vai se dedicando, o aluno passa a movimentar-se com mais precisão e agilidade, sabe a hora certa de entrar no jogo e de lançar um golpe e também passa a conhecer as canções. O músico Felipe Marmota Soares treina com afinco para assimilar as respostas que o jogo exige, mas sabe que precisa contar com a imprevisibilidade da roda. “Surgem coisas inéditas ali e você descobre que de outro jeito também é possível. Um jogo manjado pode até ser bonito, mas decoreba não é diálogo”, diz.
Origem animal
De acordo com Carlos Senna, autor de Capoeira – Percurso, por meio da observação atenta da natureza, a capoeira assimilou as qualidades de sobrevivência de quatro espécies de nossas matas: a agilidade e a destreza do macaco, a combatividade e a sagacidade da onça, a manha e a astúcia da raposa e a capacidade de envolver e enlaçar da aranha.
O pulo do gato do capoeirista foi misturar todos esses elementos num equilíbrio entre ataque e defesa. Mas, na roda da vida, às vezes usamos mais um que outro. Mestre Kenura acredita que se defender é mais importante que atacar, pois é mais difícil não ser acertado que deferir um golpe. Sábio é o aprendiz que leva o ensinamento para as situações da vida em que é preciso manter a integridade e a concentração em lugar de se tornar alvo fácil de provocações e vulnerável a estímulos externos.
A capoeira ajuda a canalizar a agressividade natural do ser humano em um jogo lúdico, de movimentos amplos e abertos, onde mais esperto é quem percebe o ambiente e o oponente. Há também os efeitos da prática no comportamento dos jogadores. A professora de ioga Maria Amélia Vieira de Souza passou a brincar com a vida e a sorrir para o inimigo. “A capoeira me propôs desafios. Hoje enfrento as dificuldades que surgem com mais capacidade de entendimento”, diz Amélia, que, assim como todo capoeirista, ganhou um apelido que traduz seu jeito doce de lidar com o mundo: Mel. Agora ela figura entre Besouro, Querido de Deus, Dois de Ouro, Magrão, Prata, Beija-Flor, Azulão, Bola Sete, João Pequeno, Cobrinha Verde... e por aí vai.
Benefícios do gingado
Música
Cantar as músicas e aprender a tocar os instrumentos da capoeira – reco-reco, agogô, pandeiro, atabaque e berimbau – favorecem a iniciação musical do aluno, aprimoram a noção de ritmo e a interação com a roda
Dança
Movimentar-se de acordo com um ritmo sonoro amplia a noção de tempo e espaço e dá a oportunidade de criar passos e golpes com mais plasticidade
Dramaturgia
Por ser um diálogo não verbal, as intenções do capoeirista são comunicadas com o olhar, os gestos e a expressão do corpo. É preciso encenar essa brincadeira
Condicionamento
Capoeira dá cintura”, diz mestre Pelé da Bomba, de Salvador. Os movimentos da capoeira produzem efeitos no corpo, que ganha tônus muscular, muita agilidade, reflexo, flexibilidade e equilíbrio
Para saber mais:
Livros
>> Capoeira – Os Fundamentos da Malícia, Nestor Capoeira, Record
Futebol
Vida Simples Futebol Clube
Escalamos um escrete de predicados, uma seleção de atitudes que são um verdadeiro show de bola. Descubra o que o futebol pode fazer de bom para você - sem precisar enfaixar o tornozelo no dia seguinte
Amigos, bem sei que em ano de Copa do Mundo o futebol é o assunto total, inapelável. É o tema fatal, obsessivo no escritório, nos almoços de família, na conversa com o vizinho. Pudera: somos a pátria de chuteiras, nosso presidente é useiro e vezeiro de metáforas futebolísticas, o bate-bola é o feijão-com-arroz de nossas conversas, das mais triviais àquelas que só acontecem à meia-noite, num terreno baldio, à luz de archotes.
Mas vejamos: há mais coisas entre o futebol e a nossa vida do que sonha a vã filosofia dos estádios. O velho esporte bretão é uma “escola” de vida. Observado com atenção, o esporte exala outras qualidades que vão além do condicionamento físico e da diversão toda que é disputar uma bola com um adversário que, logo depois da partida, vai assar um churrasquinho esperto para todos os jogadores.
Esporte coletivo, o bate-bola traz uma série de elementos que podem rolar fora dos gramados e entrar definitivamente na vida de todos. Conseguir unir todos esses predicados (selecionamos um timaço de 11 deles, mas há outros no banco de reservas, sem dúvida) significa alcançar um equilíbrio raro – e, por isso, disputadíssimo – em nosso cotidiano. Conheça agora o nosso escrete. E não fique apenas na torcida: entre em campo, toque a bola para a frente e marque os seus golzinhos. Você vai aprender a levar a vida na esportiva.
1. Concentração
No futebol profissional, o termo “concentração” significa o período de reclusão em que jogadores e comissão técnica de um time se isolam, buscando o mínimo de interferência externa, para se focar no jogo. Pode durar um, dois ou mais dias. O objetivo é o mesmo: desvencilhar-se de todas as coisas da vida “normal” para se concentrar na partida e aumentar as chances de vitória. Talvez não tenha sido mera coincidência, mas o futebol profissional pratica um conceito importante do budismo. Yasuyoshi Oonishi, estudioso do kemari – esporte praticado no Japão antigo e que é considerado predecessor do futebol moderno –, explica que a concentração está entre as práticas que os budistas acreditam ser capazes de nos levar ao nirvana (ou à iluminação), e significa fazer uma coisa de cada vez, com atenção plena e totalidade, cultivando uma mente tranqüila.
2. Humildade
“Lição preciosa que o esporte me ensinou no cotidiano dos estádios é que o homem que ganha hoje é o mesmo que perde amanhã. No esporte, como na vida, não há vitórias nem derrotas definitivas.” A frase é do cronista esportivo, escritor e apaixonado por futebol Armando Nogueira e exprime uma das maiores virtudes a serem buscadas pelo homem: a humildade. E não tenha dúvida: os maiores craques, sejam da história do futebol, sejam do time do bairro, nunca se julgam perfeitos e sempre estão atentos àqueles aspectos que ainda podem aperfeiçoar, às metas que ainda pensam em alcançar. Isso talvez explique por que só alguns se tornam verdadeiros craques – pois justamente demonstram a humildade necessária para manter o espírito sempre aberto ao aprendizado.
3. Equilíbrio
Vira e mexe escutamos falar do jogador fulano que agrediu o adversário ou das torcidas se enfrentando como exércitos. Será que o futebol desequilibra o ser humano? Em parte. O futebol não pode levar sozinho a fama de esporte agressivo porque as paixões, em geral, colocam o homem num estado de euforia que leva a comportamentos inexplicáveis, como a violência. Em 1994, durante a Copa do Mundo dos Estados Unidos, o sociólogo Florestan Fernandes escreveu: “No Brasil, nada conduz à loucura como o futebol. Trata-se de um mundo no qual o profano, a magia e a religião se confundem e quebram a rotina da miséria, da ignorância e da opressão, ainda que por alguns instantes e graças à fantasia”. Manter o equilíbrio diante de uma paixão é, portanto, um desafio. Para isso, a concentração, a disciplina e a alegria remam a favor.
4. Disciplina
Para praticar qualquer atividade (física ou não) é necessário determinação e regularidade. O preparador físico Nuno Cobra, que atuou com esportistas de ponta como o piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, desenvolveu um método de trabalho baseado no princípio da disciplina saudável. Esse princípio, apesar de exigir adaptações e renúncias, não deve jamais significar sofrimento. Por isso, a disciplina tem que vir de dentro para fora e deve necessariamente ser sinônimo do caminho para se alcançar algo mais. Por mais descontraída que seja a atividade, ela sempre ocorre de maneira mais tranqüila e prazerosa se damos um pouco de atenção ao que se conhece por preparo paralelo: a alimentação, o sono, o sol, a roupa apropriada, a tranqüilidade, o horário e a assiduidade.
5. Igualdade
O futebol de rua, de praça, de terreno baldio é um evento em que todos estão sujeitos a um mesmo regulamento que não permite diferenciação entre ricos e pobres, negros e brancos, bonitos e feios. No máximo pode rolar um “solteiros x casados”. (Já o futebol profissional obedece às normas e diferenciações de uma sociedade competitiva nos moldes capitalistas.) Dentro de campo, o que diferencia um jogador de outro é a força, o espírito, a ousadia, a habilidade. Ali viceja uma verdadeira democracia: há direitos e deveres que, se não forem efetivamente cumpridos, devem ser punidos pelas próprias regras vigentes (e acertadas com a concordância de todos). Há também a vontade dos participantes de respeitar as normas e deixar rolar o jogo. Quer saber? Está faltando um pouco do espírito de boleiro no resto da sociedade.
6. Sociabilidade
No livro Para Ser Jogador de Futebol, o ex-jogador Raí diz que uma das coisas mais ricas na experiência futebolística é o convívio entre pessoas de diferentes classes sociais. Por se tratar de um esporte de improviso, que não necessita de equipamentos nem uniformes caros, parte-se do princípio de que todos os que estão em campo são iguais, têm as mesmas oportunidades e dependem somente da própria habilidade e inteligência para se destacar. Assim, não é incomum encontrar em um time pessoas que vivem realidades muito distintas fora de campo. Uma prova dessa sociabilização são os rachas de quinta-feira à noite na sede da gravadora Trama, em São Paulo. Na quadra, os donos da gravadora, porteiros, boys, produtores, músicos – e várias celebridades – se irmanam em torno daquilo que chamam de “o momento mais sagrado” da semana.
7. Atitude
Jogador de futebol sem atitude geralmente esquenta o banco de reservas. Mas o conceito de atitude, assim, parece muito vago. Ter atitude nem sempre significa dominar a bola e tentar sair driblando todo mundo. Afinal, se você não for o Pelé, corre o sério risco de tomar um gol e prejudicar o resto de sua equipe. Na verdade, ter atitude é ter sensibilidade para perceber qual ação cabe em qual situação. Se é intervir e tomar partido ou se é deixar que os outros resolvam o problema, se é hora de falar ou de ficar em silêncio, se é simplesmente tolerar o erro dos outros ou se é necessário cobrar a melhora. São situações que transcendem o futebol e dizem respeito a todas as modalidades da vida. Jogar futebol implica o aprimoramento desses momentos cruciais da vida comunitária.
8. Espírito de equipe
Atleta do século, Pelé nunca abandonou o espírito de equipe nem deixou de reconhecer a importância de cada um dos colegas durante os quase 19 legendários anos em que atuou pelo Santos Futebol Clube. Jogadores que conviveram muito próximos dele, como Pepe e Coutinho, sempre destacaram a preocupação do Rei do Futebol com os companheiros dentro e fora dos gramados. Nisso Pelé também era excepcional, todos concordam. Pensar em equipe não só é uma virtude, mas uma necessidade em todos os campos da vida. E esse aprendizado, por melhor que você seja em alguma coisa, sempre vai depender de alguém para receber a bola na medida para chutar de letra, ou aquele passe enfiado que te deixa cara a cara e só precisa de um toquinho para encobrir o goleiro com classe.
9. Alegria
Quem gosta de jogar futebol sabe que a pelada com os amigos é, muitas vezes, o único momento de descontração da semana. Mas por que não levar essa lição para todas as outras pelejas da vida? O futebol não pode ser o único a ter essa função desinibidora dentro da rotina. É preciso entender que se manter alegre é um exercício constante, que demanda o esforço do desapego. Segundo o budismo, praticar o desapego liberta as pessoas do ciclo da existência e pode ajudar a cessar o sofrimento. Ou seja, tudo o que fazemos tem que ser marcado pela alegria. Pense num craque universal como Ronaldinho Gaúcho, todo sorrisos, que joga um futebol cheio de alegria e descontração, mesmo naqueles momentos mais dramáticos da partida. Cá entre nós: o craque do Barcelona é um guru da mais pura jovialidade.
10. Inteligência
Ninguém é inteligente para tudo. Por isso é preconceituoso o julgamento de que “jogador de futebol não é inteligente”. Posicionar a bola no ângulo do escanteio e chutá-la de maneira que faça uma parábola regular e passe por entre o retângulo formado pelas traves do gol, que se encontra na mesma linha de onde a bola saiu, desafiando os ventos e escapando das mãos do goleiro, não parece tarefa pior que solucionar um complexo problema de física? É verdade que não temos de resolver problemas de física todos os dias, nem marcar gols olímpicos em cada pelada. Porém, as atitudes geniais têm espaço em todas as atividades. A todo momento somos solicitados a encontrar soluções para os mais diversos desafios. Em alguns casos, nos saímos bem. Em outros, a melhor alternativa é ter humildade e se deixar contagiar pelo espírito de equipe.
11. Ritual
A preleção do técnico no vestiário antes do jogo, a escolha dos times, a eleição do capitão, a conversa com o árbitro, as estratégias, o gesto de desculpas quando a entrada no adversário foi mais dura – tudo no futebol é altamente ritualizado. A antropologia dedica atenção especial ao tema. Essas pequenas convenções e critérios de comportamento, que só fazem sentido dentro de um contexto específico, são o que caracteriza um ritual. Assim, quando o pai decide ensinar o futebol para o filho, por menor que ele seja, é preciso dar ênfase aos rituais como forma de contato com algo muito especial. Não basta ensinar a chutar a bola, mas a tratá-la com carinho. Segundo os pedagogos, isso colabora na educação da criança, que tende a ter mais facilidade para desenvolver amor pelo que faz e a ter mais tranqüilidade na hora de planejar o próprio futuro.
Para saber mais:
Livros
>> Para Ser Jogador de Futebol, Raí, Soninha e Milly Lacombe, Jaboticaba
>> Atlas do Esporte no Brasil, Editora Escola de Educação Física
>> Como o Futebol Explica o Mundo, Franklin Foer, Jorge Zahar
>> O Homem e a Bola, Armando Nogueira, Globo
>> A Magia da Camisa 10, André Ribeiro e Vladir Lemos, Versus
>> A Semente da Vitória, Nuno Cobra, Senac
DVD
A Historia do Futebol – Um Jogo Mágico, FreemantleMedia e FlashStar Home Video
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