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Velho Chico

A força do extenso e lendário rio São Francisco, fonte de água e vida de tantos brasileiros

texto e fotos João Marcos Rosa

slideshow_riosaofran_02.jpg|O São Francisco nasce tímido e pequenino num brejo na serra da Canastra, em Minas Gerais, para se tornar o maior rio inteiramente brasileiro em seu encontro com o oceano Atlântico. Depois das cachoeiras da serra, percorre o cerradão mineiro e, em Três Marias, é barrado por uma represa. A hidrelétrica ali construída impede que barcos e peixes sigam o curso normal do rio. É o primeiro grande desafio imposto pelo homem ao Velho Chico. Também o ponto de partida desta viagem fotográfica que segue até Januária, quase na fronteira com a Bahia. >> |Perto de muita água a vida brota e tudo é feliz slideshow_riosaofran_01.jpg|Com águas verdes e límpidas – já que a chuva não está por perto –, nesse trecho o São Francisco toma feições de mar. Um passeio numa canoa de madeira a remo nos leva a um outro tempo e velocidade. Na companhia de um pescador como seu Fulô e seu cão Bitoca, a experiência torna-se uma lição. A viagem segue. Nossa próxima parada é a barra do Abaeté, um certo ponto de mutação do São Francisco, que dali para baixo tem uma vegetação mais densa e margens menos habitadas. Podese avistar capivaras nos barrancos, cágados nas pedras e macacos nas copas das árvores. Aves estão por todos os lados e alçam vôo com as ondas do barco. >> |Poesia no cotidiano: a rede brilha na luz do fim de mais um dia de pescaria em Ibiaí, Minas Gerais slideshow_riosaofran_03.jpg|As referências geográficas do São Francisco nessas bandas são as ilhas e barras dos rios que se encontram com ele: Pandeiros, Paracatu, Carinhanha, Velhas e outras mais. As ilhas levam nomes diversos como Pimenta, Cigano e Sucesso e são usadas para roça até que venha uma cheia e as apague do mapa. Da nascente à foz, o Velho Chico percorre longos 2700 quilômetros. São mais de 500 municípios banhados por suas águas, que dão de comer e beber a cerca de 14 milhões de pessoas. >> |O cão é o companheiro inseparável nas noites silenciosas do pescador em Três Marias, Minas Gerais slideshow_riosaofran_04.jpg|Alguns quilômetros e muitas corredeiras abaixo, o rio começa a ganhar certo amarelado. São afluentes que chegam barrentos das chuvas nas cabeceiras e emprestam seu colorido ao São Francisco. Em Pirapora a mudança da paisagem é radical. A partir de uma larga cachoeira, de ponta a ponta, o Velho Chico passa a ser mais baiano que mineiro. Barcos motorizados de alumínio cedem lugar a rústicas canoas de madeira. Um sinal de que rumo ao oceano, emoldurado pelo sertão que começa a se revelar, o Velho Chico acolhe povoados mais pobres, mas não menos nobres.

Para baixo da barra do Urucuia, rio exaltado pelo escritor Guimarães Rosa, nos aproximamos de Januária. Foi ali, na companhia de meu pai, também Francisco, que avistei o Velho Chico pela primeira vez, aos 5 anos. “Perto de muita água, tudo é feliz.” As palavras do escritor mineiro em Grande Sertão: Veredas traduziram o sentimento que tive nas primeiras visitas e que ainda hoje persiste, apesar das mudanças e maus tratos sofridos pelo velho amigo.|A peixaria em Buritizeiro ainda é ponto de encontro na cidade mineira que já foi sede de um porto movimentado
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